E a carcaça sem vida
que tão morbidamente deambula por entre os vivos
é quase irreconhecível
Se minuciosamente se esmiuçasse seus movimentos
facilmente se denotaria
a óbvia inexistênca de sentimentos
O derradeiro entorpecimento
Sorri, em tempos
Mas não o sorriso que agora carrego,
este que se assemelha a uma injusta e pesada sentença
é mera sombra do que um dia foi
Já não cega olhares e infortúnios,
afunda-se lentamente em meus terrores
deixando para trás apenas uma forma arqueada
cujo brilho há muito desvaneceu
Vivi, em certo tempo
Mas nada me resta dessa passagem efémera
para além de memórias
que com o tempo são conspurcadas pela própria imaginação
Tão intangíveis são
que toda a força de vontade se mostra insuficiente
para as aprisionar
E já nem consigo perceber se aconteceu ou se o sonhei.
C.D.